terça-feira, 26 de setembro de 2017

Cidade Dourada

Há quem chame de mitologia, há quem creia que seja um sonho, mas há quem sabe que é Verdade.
E é nesta sintonia que conto a você que o conto de hoje não é verdadeiramente uma história, mas lapsos de imagens em cadência, em sequência ou mesmo fora dela.
Já houve época que traduzira sua história imagética formulada em pensamentos, em cores, formas e até mesmo em sabores.
Há uma ponte brilhante, vibratória, dourada, margeada por um Rio dourado também, por hora parece uma tecnologia sem precedentes outrora apenas uma cena pragmática.
Em frente uma cidade com telhados dourados como o se o próprio sol vivesse ali, atrás de si uma espécie de transporte fixo, vibrante e giratório.
Nesta mesma cidade há um local onde são colocados os bebês que dali partem para outras dimensões. Umas espécies de carrancas, um local com algo parecido com a água desta dimensão toma conta da sala circular, as carrancas se abaixam uma engrenagem central também se move ..as enfim, isso já é p um outro conto.
Nesta cidade central do mistério muitos recarregam a alma e se religam....simples assim.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A senda do Mistério

Seu corpo estava leve, letárgico, quase adormecido e eis que veio a lembrança, fora levada à outro lugar, outro mundo, outros tempos, séculos atrás.
Uma mulher desesperada, com uma criança em seus braços corria desesperadamente entre as árvores, corria pela vida, não tanto pela sua, mas por aquela que carregava, por sua filha.
No alto daquela colina, junto à um precipício viu uma fumaça, já era dia e provavelmente estava exausta, ao longe podia ouvir o ladrar dos cães e sabia que a caça era ela.
A casa era rústica, de madeira pura, colhida ali mesmo, feita pelo próprio morador, mas porque morar tão isolado do restante da vila? essa resposta não lhe cabia, apenas viu naquela casa, naquele homem a salvação da vida daquele bebê tão amado que carregava nos braços, por vezes parecia que não era sua filha, mas sua protegida.
Talvez ali vivesse um curandeiro já que eles se afastavam mesmo dos lugares mais povoados, viviam isolados e em contato direto com a natureza para aprender o máximo que pudessem.
 Quando viu o homem sentiu e soube que ele cuidaria da criança, entregou-a em seus braços, ainda com a respiração ofegante e sem muitas explicações. 
Continuou correndo, agora para despistar os seus caçadores da tal casa na colina, do tal curandeiro, bruxo, ou seja lá o que aquele homem era. 
Seus executores passaram pela casa e nem se quer ousaram buscar, pois sabiam que ali, quem morava, em hipóteses nenhuma esconderia uma pessoa ou muito menos uma criança, não era de seu feitio e muito menos de suas funções. Mal sabiam eles que aquele Homem quebraria o paradigma de tudo o que aparentavam suas gerações, porque no fundo de seu espírito, ao segurar aquela criança, ele soube o verdadeiro motivo de tantos segredos, mistérios e conhecimento.
A menina cresceu, adorava correr numa espécie de varanda no piso superior daquela casa, aprendeu sobre as ervas, sobre os animais, soube ler as estrelas e ali iniciou sua senda, sua senda que duraria tantas incontáveis vidas. E o homem? este tornou-se uma espécie de guardião, encontraram-se muitas outras vezes e como uma espécie de gratidão o Universo permitiu que se lembrassem um do outro, naquela, noutras que se seguiram, nesta e em tantas outras vidas que se passaram e ainda se passarão.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

De casa para a casa

Num dia entre as estrelas, muitos pairavam entre a poeira estelar. Ali, sabiam-se perfeitamente felizes, únicos e completos. 
Após milhares de anos a vagarem entre os mundos acabaram numa esfera longínqua, numa galáxia qualquer, onde os extremos de seus corpos emocionais seriam postos a prova caso resolvessem ficar por ali. 
Apenas por um instantes ou dois....desceram...entraram naquela atmosfera e permaneceram por um tempo que se quer conseguiram mensurar.
 Uns tiveram seus corpos incrustados de pura emoção, buscaram a satisfação de seus prazeres a todo custo e nem se quer se lembravam de quem eram.
 Outros mergulharam num sofrimento tão profundo que todas as vezes que seus amigos que ainda permaneceram nas estrelas tentavam se aproximar sofriam ainda mais, e nem se quer sabiam o motivo de tanto sofrimento, sofriam pois a alma,,,,Ah!! A alma! o Espírito!! estes jamais se esqueceram de quem eram, apenas a densidade da matéria é que não permitia que se recordassem de quem eram de verdade, em essência, e ali permaneceram...escravos do próprio veículo, escravos de si.
Mas um outro grupo, envolto em Amor, permaneceu buscando, encontrando o Amor onde quer que fosse, numa religião, no Cristo, no trabalho, no bem estar daqueles que se amam, na pequenez, no estado físico maravilhoso das coisas deste planeta...também não se lembravam com clareza e estes também sofriam quando falavam com os amigos que permaneceram nas estrelas, choravam de saudade, choravam conforme tinham contato com sua energia tão mais sutil e tão livre de sofrimento, das paixões aprisionadoras e de tantos outras ilusões..
Aos poucos, estes, passaram a exercer sua missão de fato, estar no dia adia daquele planeta, estar presente e imerso no Amor a cada ação e reação, aos poucos os contatos com os amigos das estrelas foram ficando mais distantes e vorazes, era importante não se sentir com vontade de estar em casa, era hora se fazer daquele planeta a sua casa

sábado, 6 de maio de 2017

Na clareira

O frio cortante já tomava conta dos ares da serra. Podia-se contar os passos tamanho era o silencio do local. 
Após um dia comum, era hora do descanso. Deitou-se, mas não adormeceu, algo anormal começara a acontecer, sentia seu corpo etéreo se expandir e atingir a alma da Terra, parecia assumir um tamanho imensurável, ficou ali deitada enquanto esse processo de horas ocorria. 
Adormeceu.........
E eis que vieram buscá-la.
Estava com outras 2 amigas de infância e de outros tempos e mundos também. Estavam numa floresta, uma área aberta, nada muito obscuro ou fechado, mas era noite. 
De repente no céu apareceram formas vibratórias meio transparentes, como se feitas de um material que não sabia nomear ao certo. 
Ficou olhando e lembrou-se de uma tarde de verão que boiava em sua piscina e estas formas sempre estavam por ali.
Por fim, seguraram-se umas às outras, o medo gelou a espinha, viram uma nave enorme e de repente cerca de 9 astronautas apareceram, se apresentaram com muita alegria e ela perguntou...Onde está o comandante? ansiava por vè-lo, uma moça numa brincadeira disse que era o comandante Sheran, mas não era e todas as três sabiam disso.
E apontaram para a frente, ali estava ele, correram para se encontrar, ela mais do que ele, ele usava um capacete com uma cabeça engraçada de jacaré, forma que ela via, forma makárica, pois era seu anjo, um anjo de verdade. 

terça-feira, 28 de março de 2017

Entre espadas

Era mais um dia normal, desses que parecem comuns,ela cumprira com suas obrigações e tudo corria normalmente, se não fosse aquela sensação que não a deixava em paz, era como se sua alma soubesse de algo que seu corpo ainda não compreendia.
Era exatamente isso que estava acontecendo.
Caminhou para a casa como fazia todas as noites.
Num instante fora transportada para outro lugar, outro tempo, outras vestes e outros rostos.
O cheiro de carne podre entrava por suas narinas e pesteava o ar num misto de morte e sangue, a lama deixava tudo ainda mais difícil, a malha de aço pesava sobre seus ombros e enquanto observava como se sobrevoasse a cena também sentia e vivia na pele aquela batalha.
Subiu uma escada e ali, numa emboscada fora pega, fora atingida por algo na perna, sentiu algo quente escorrer na malha de ferro.
De repente uma dor escruciante tomara conta de seu ombro, costa e braço direito, olhou e viu uma flecha cravada em sua pele....Caiu......
Era o fim, respiração ofegante e a dor quase a anestesiava.... Olhou em volta e viu-se sozinha e realmente estava se não fosse por um... Giles....
.Ele a pegou e levou p uma espécie de choupana, ali retirou a flecha, queimou sua ponta e a inseriu na ferida aberta, ela ardia em febre....Delirava...Muito.
Numa noite vieram soldados que lutavam do outro lado de seu exército, Giles a olhou envergonhado,ali , ela, a que via tudo como se pairasse no ar, o ouviu chorar e implorar seu perdão, porém, ele a entregou, baixou seus olhos e saiu dali rapidamente.....
Ela fora entregue aos seus algozes. Ele.....enlouqueceu
Da mesma maneira que chegou ali, aquela que apenas caminhava em seu retorno para casa voltou a seu corpo físico, a dor no ombro permaneceu com um hematoma. Talvez para não menosprezar a experiência.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O guardião

Era apenas mais uma noite estrelada daquele ano, ela deitava-se sobre seu travesseiro e olhava as estrelas quando sentiu seu coração disparar, levantou-se e sabia q era chegada a hora de visitar outros tempos.
Fora levada até a embocadura, ali um Ser, na verdade O Guardião, já a esperava.
Talvez fora ele quem fez o chamado ou ainda a própria embocadura que guardava, não sabia ao certo, apenas tinha a certeza de que algo movia em sua alma, algo a chamava a estar ali, naquele lugar, naquele momento, e assim permaneceu a olhá-lo.
Ele usava um capuz, e tinha cajado na mão, o mesmo cajado que espantava os pássaros noutras vezes como que para avisar sobre algo que ela nunca soube ao certo o que era, e agora estava ali, na sua frente, os dois ficaram alguns segundo entre os mundos, segundos que pareceram eternos.
Ele a cumprimentou como um velho conhecido, porém a densidade da dimensão impedia que ela se recordasse com detalhes, ela apenas sentia....sentia q o conhecia...sentia....era isso que fazia.
Ali ele pôs fim à um ciclo de sofrimento, pôs fim ao cálice que tantas vezes colheu o sangue de muitos que escolheram vir para o plano que ela se encontrava.
"Agora é hora de caminhar pelo caminho suave"...

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Numa vida

A casa era um recanto no meio das pedreiras na montanha. Local isolado e cercado pela natureza.
O quarto dela tinha uma janela de madeira velha e pequena, o vento balançava as cortinas amarelas, a janela era baixa tal ponto que quando sentava na cama ficava à altura do parapeito. Todas as noites sentava-se encolhida junto à cabeceira e olhava as estrelas, de algum maneira sabia que dali viria sua liberdade, seu socorro.
Um dia ela pode ouvir os gritos dele, de dentro da cena sentiu um medo percorrer sua espinha, quando ele vinha falando como se ela fosse sua propriedade seu rosto assumia outra proporção, mas vendo de longe, de fora da cena seus gritos pareciam mais com o desespero em perder quem se ama.
Porém, ali, na cabeceira da cama ela já nem sabia se era humana ou espírito, e essa é a ambiguidade das lembranças que são apenas sensações e fagulhas.
Ali, sentada abraçando os joelhos junto ao peito, olhando as estrelas na noite quieta, como um raio ele veio e a levou dali, fora embora do suplício, do quarto que já não sabia mais se era de paz ou de choro. Ela continuou encolhida, agora nos braços de seu libertador, de seu amigo de outrora.
Foi-se.....para as estrelas.